A Cesta Básica agora é Nacional

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A Cesta Básica agora é Nacional

 

Clemente Ganz Lúcio [1]

O DIEESE ampliou a Pesquisa da Cesta Básica para todas as 26 capitais e o Distrito Federal, agregando às 18 cidades onde os preços dos alimentos já eram pesquisados outras nove: Cuiabá (MT), Palmas (TO), Maceió (AL), São Luís (MA), Teresina (PI), Macapá (AP), Rio Branco (AC), Porto Velho (RO) e Boa Vista (RR). Com essa importante iniciativa, será possível acompanhar mensalmente o comportamento dos alimentos essenciais em todas as capitais, subsidiando o debate sobre custo de vida, inflação e abastecimento para cada uma das regiões.

Os resultados de janeiro mostraram que o preço da cesta básica variou entre R$ 451,76 (Brasília, a mais cara) e R$ R$ 329,20 (Natal, a mais barata), uma diferença de mais de 37%. O preço da cesta básica aumentou nas 27 cidades pesquisadas (janeiro em relação a dezembro). Goiânia registrou a maior alta, de 15,75% e, Curitiba, a menor variação, de 1,71%.

Os produtos in natura englobados na cesta foram os grandes responsáveis pelas altas dos alimentos básicos. Tomate, banana e batata -  pesquisada na região Centro-Sul - subiram de forma expressiva na maior parte das cidades. São produtos que sofrem muita influência do clima. As chuvas acima da média ou o calor excessivo causaram problemas na lavoura desses produtos, com impactos na oferta, elevando o preço.

O óleo de soja e o açúcar também apresentaram altas na maior parte das cidades. O câmbio desvalorizado vem estimulando as exportações da soja e do açúcar e, no caso do último, grande parte da cana plantada foi destinada à produção do etanol.

Outro produto com altas expressivas em 26 capitais foi o feijão, tanto o preto quanto o carioquinha, devido às fortes chuvas, que ocasionaram quebra de safra em diversas regiões.

O reajuste do salário mínimo no primeiro mês do ano, de 11,68%, compensou as altas verificadas em janeiro na maior parte das cidades. Em média, o trabalhador precisou gastar pouco menos da metade do salário mínimo para comprar os produtos da cesta básica e, com base em uma jornada mensal de 220 horas, necessitou trabalhar 100 horas e 8 minutos para adquirir os produtos básicos da alimentação.

Em janeiro de 2016, as variações nos alimentos foram positivas em todas as cidades e se deram em patamares superiores aos verificados nos dois últimos anos, chegando a taxas de dois dígitos em nove capitais. Com base nos dados de janeiro e nas previsões dos analistas, o país continuará sofrendo choques de oferta por problemas climáticos. Será necessária a atenção dos gestores públicos para que os produtos continuem chegando à mesa das famílias, com boa qualidade e a preços acessíveis, sem impacto contundente na inflação.

Há o desafio de articular para o vasto território nacional uma política robusta de produção alimentar, em grande medida oriunda da agricultura familiar, e a estratégia de abastecimento alimentar urbano, que trate da qualidade dos produtos e dos preços praticados, nesse caso, remunerando adequadamente os produtores e eliminando a intermediação perversa. Alimento barato e de qualidade reduz o custo de vida e favorece a qualidade de vida.



[1] Sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

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